Derrota para o Peru só confirma problemas da Seleção

O Brasil sofreu a sua primeira derrota desde que foi eliminado da Copa do Mundo no ano passado. No papel, é uma sequência muito boa. Porém quem assistiu aos jogos da Seleção desde então viu que o futebol apresentado vem deixando a desejar na maioria das partidas.

O talento está lá. Afinal, estamos falando de um elenco com dois dos melhores goleiros do mundo, alguns dos melhores laterais (Dani Alves, Filipe Luis, Marcelo), três dos melhores volantes (Fabinho, Casemiro e Allan), meio campistas como Arthur e Lucas Paquetá, e excelentes atacantes como Firmino, Richarlison, Neymar, David Neres, Lucas Moura (incrível não ser chamado) e muitos outros.

Então por quê não consegue jogar um futebol envolvente, ofensivo e dominante contra times como o Peru?

A resposta se chama Tite!

O treinador da Seleção Brasileira não parece ter aprendido nada desde a eliminação na Copa da Rússia para a Bélgica. Mudanças precisam ser feitas, e isso vale para TODAS as seleções do mundo… Especialmente quando o Brasil não chega sequer à uma final de Copa do Mundo desde 2002 (já foram quatro copas desde então – duas quartas, uma semi e um 7×1).

Hoje alguns problemas estão muito claros nessa seleção do Tite.

Insistência no Coutinho

O “pequeno mágico”, como era chamado no Liverpool, não joga bem desde que deixou os Reds há quase dois anos (começou bem a Copa de 2018, mas foi só). Mas, o Tite ainda acha que mesmo jogando mal, Coutinho deve seguir sendo intocável na Seleção. Não tem explicação!

Estamos falando de um jogador que, no momento, está sem confiança alguma. Enquanto isso, jogadores como Paquetá esquentam o banco, e outros como Lucas Moura, Everton Ribeiro e Bruno Guimarães sequer recebem uma chance.

O Tite acha que é trabalho dele recuperar o jogador, mas ele precisa entender que uma seleção não recupera jogador (é muito pouco tempo); isso é trabalho do clube do atleta. Na seleção, vai quem está bem no seu clube. Se o Tite não enfiar isso na sua cabeça, vai afundar junto com a Seleção.

Fabinho precisa ser titular

Sem brincadeira, o nome do Fabinho deveria ser o primeiro na lista de titulares. Hoje ele é um dos melhores volantes do mundo, jogando muito mais que o Casemiro. Sem contar que ele pode jogar na lateral-direita (sem comparação entre ele e o Fagner).

Fabinho se tornou titular absoluto do meio de campo do Liverpool, atual campeão europeu. É fundamental no sistema do Klopp pelo seu excelente trabalho defensivo e ótima saída de bola (quem assistiu aquele 4×0 do Liverpool contra o Barcelona sabe do que estou falando). Sem dúvida, ele melhoraria o meio campo da Seleção, que tem sido um problema.

Variações táticas (ou, a falta de)

Eu já escrevi isso algumas vezes. Me incomoda o fato do Tite sempre jogar o mesmo futebol, com as mesmas formações. Mesmo num amistoso inútil como esse último contra o Peru, o Tite ainda entra com dois volantes.

Ao invés de olhar para o Guardiola, considerado pela grande maioria (incluindo eu) o melhor treinador do mundo, e tentar tirar algumas ideias, ele segue fazendo mais do mesmo – algo típico dos treinadores brasileiros. O Guardiola chega a jogar com apenas Gündogan como “volante”, com De Bruyne, David Silva, Bernardo Silva, Sterling e Aguero.

Aqui no Brasil temos o Flamengo do Jorge Jesus como exemplo disso, que joga com Willian Arão como o único “volante”.

É claro que o Tite (ou qualquer outro treinador) não vai mudar suas ideias da noite para o dia, mas como qualquer profissional, é preciso melhorar e evoluir. O trabalho do Tite mostra que ele não está fazendo isso. Por quê não aproveitar um desses vários amistosos inúteis para testar uma formação com Fabinho, Paquetá, Bruno Henrique, Vinicius Jr, Neres (ou Richarlison) e Firmino?

Permitiria ao Brasil se impor muito mais contra um time fraco como o Peru, e ficaria pelo como uma opção em momentos onde o time precisa atacar. Mas, ao invés disso, ele mantém seus volantes e seu esquema de jogo sem audácia alguma, e quando precisa ser audacioso, percebe que o time NUNCA jogou assim.

Chances (de verdade) para caras novas

Esse é um problema antigo, e verdade seja dita, é um problema para muitos treinadores. O Tite segue insistindo em jogadores que não deveriam estar na Seleção (ou que não deveriam ser titulares), mas que Tite “confia” pelo que fizeram anos atrás. Fagner, Casemiro, Willian, Gabriel Jesus… todos precisariam ficar um pouco de lado (o Fagner deveria ser esquecido), pelo menos por algumas convocações, para que novos atletas tivessem chances. E não estou falando de entrar por 10 ou 15 minutos, como foi com Bruno Henrique e Vinicius Jr contra o Peru, e sim jogar 90 minutos.

Em qualquer esporte coletivo o entrosamento pode ajudar muito, então é importante manter uma base. Porém, numa seleção uma base será mantida automaticamente pois alguns jogadores estarão (ou deveriam estar) presentes por muitos anos – Alisson, Dani Alves, Marquinhos, Neymar, Firmino, e mais alguns. A grande maioria precisa entrar pelo momento que vivem em seus clubes.

Fabinho está jogando muito? Titular no lugar do Casmeiro. Paquetá vem bem? No lugar do Arthur, que não vive um grande momento. E assim por diante.

Veremos o que será dessa Seleção, mas os últimos dois anos não me passa muita confiança de que alguma melhoria está por vir.

Até a próxima…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s