A sofrível realidade do futebol no Brasil

O Corinthians é líder absoluto do Campeonato Brasileiro, sete pontos a frente do vice-líder Grêmio após 23 rodadas … uma bela vantagem.

Ouço tanta gente falando que o Corinthians está jogando tão bem (ou, pelo menos estava), mas a realidade é que o futebol do Timão é chato demais de assistir desde o início do campeonato. O treinador Fabio Carille tem todos os méritos na organização e eficiência do time, além de tirar o máximo de um time limitado, mas a qualidade do futebol é bem pobre.

Me lembra muito a campanha do Leicester na Premier League duas temporadas atrás. A única diferença é que o Leicester é um time pequeno na Inglaterra enquanto o Corinthians é um dos maiores do Brasil. Mas, o futebol é bem parecido – defende com onze atrás da bola e joga por uma ou duas bolas, num contra ataque ou num erro do adversário. Se tiver que propor o jogo, tem muita dificuldade – como vimos nas últimas rodadas.

Não tiro o mérito do Corinthians, assim como não tirei do Leicester, mas o futebol está longe de chamar a atenção.

Se o líder absoluto está nesse nível, os outros então …

O Grêmio até joga um bom futebol de vez em quando, mas inexplicavelmente priorizou a Copa do Brasil a frente do Campeonato Brasileiro. Essa decisão causou uma perda de oito pontos só em partidas do Brasileirão jogados antes de partidas da Copa do Brasil, onde Renato Gaúcho tomou a equivocada decisão de entrar com um time totalmente reserva.

Além disso, o time é incapaz de aproveitar o momento ruim do Corinthians. O trabalho do Renato Gaúcho tem sido elogiado, mas eu não consigo elogiar um treinador que comete erros desse nível. 

O Santos já ficou oito partidas sem marcar um gol sequer (mais de um terço dos jogos) e mesmo assim é o terceiro colocado. Os quarto e quinto colocados, Palmeiras e Flamengo, têm os maiores investimentos do país e, além de jogarem um futebol sofrível, já estão praticamente fora da briga pelo título do Campeonato Brasileiro e caíram precocemente na Libertadores – simplesmente inaceitável.

Aí olhamos para times como o Atlético Mineiro e o São Paulo e as coisas ficam ainda mais sofríveis. Dois dos clubes mais tradicionais do país brigam na parte de baixo da tabela (o São Paulo na zona do rebaixamento) com elencos melhores que muitos times acima, como Botafogo e Fluminense, que disputam vaga na Libertadores. 

Alguém duvida que os elencos do tricolor e do galo são melhores que os do Botafogo e do Flu? 

Me parece que, no geral, o povo se conformou e já se acostumou com o baixo nível do futebol. Se ganhar, tá valendo. Não levou um título mas venceu alguns clássicos … legal. Basicamente, jogou um futebol horrível mas ganhou, tá beleza. Isso não é o suficiente.

Um país com a tradição que o Brasil tem no futebol, com os investimentos que tem (comparados aos restante do continente), não pode apresentar um campeonato nacional de tão baixo nível. Os times brasileiros deveriam dominar a Copa Libertadores, mas não temos um vencedor desde o Atlético Mineiro em 2013 … inaceitável. 

A CBF precisa dar um jeito no problemático calendário, que muitas vezes nem para nas datas FIFA, para que os times possam treinar mais. Isso, claro, sem contar com a corrupção absurda da entidade maior do futebol brasileiro. 

As diretorias, que em sua grande maioria parecem ser extremamente amadoras, precisam parar com o imediatismo e planejar para o futuro – fica como exemplo as contratações e demissões de treinadores sem pensar no estilo e/ou elenco do time.

Os treinadores precisam estudar e evoluir nos seus conceitos … precisam parar com essa mania de bolas cruzadas na área. Raramente vemos jogadas com linha de passe, triangulações, envolvendo o adversário. Parece que os jogadores não são mais incentivados ao drible e jogadas individuais.

E, os jogadores precisam fazer a sua parte em campo, além de parar de acharem que são mais do que realmente são, como Robinho, Cicero, Jean, Giovanni Augusto, Fred, e vários outros. Corridas mais inteligentes, voltar para marcar, melhor posicionamento … muitas vezes, simplesmente mais vontade em campo.

Espero que, aos poucos, isso comece a mudar. Infelizmente não consigo enxergar uma mudança positiva num futuro próximo, considerando especialmente o estado da CBF e a cabeça de grande parte dos dirigentes de hoje. Espero que eu esteja errado.

Até a próxima …

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